Tendências do mercado de trabalho para 2026

No próximo ano, o mercado de trabalho brasileiro promete trazer desafios e oportunidades. Transformações tecnológicas, macroeconômicas e políticas devem influenciar diretamente a oferta e demanda de trabalho e a rotina profissional. O nosso estudo de Social Listening e monitoramento sobre as tendências para 2026 identificou os principais pontos de alerta para os trabalhadores. Acompanhe a leitura.
Tecnologia: IA acelera mudanças e exige requalificação
A inteligência artificial continua a avançar e deve impactar com ainda mais força micro e pequenas empresas. A expansão de startups, fintechs e serviços digitais intensifica a automação e levanta receios sobre substituição de funções. Estimativas apontam que até 54% das vagas formais podem ser automatizadas até 2026, especialmente em atividades repetitivas.
Esse cenário reforça a necessidade de requalificação contínua. Habilidades como alfabetização tecnológica, Big Data, IA, pensamento analítico e criatividade estarão entre as mais demandadas no país. Empresas que investirem em capacitação ganharão vantagem competitiva ao preparar suas equipes para um ambiente cada vez mais digital.
Economia: desaceleração e cautela
A economia deve seguir em ritmo moderado. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) projeta crescimento do PIB entre 1,6% e 1,8%. A Selic pode iniciar um ciclo de queda, mas ainda permanecerá em alta, próxima de 11%. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reforça a perspectiva de crescimento limitado. Para o trabalhador, isso significa maior atenção à estabilidade de setores e empresas, além de prudência em decisões de carreira.
Cenário político: eleições e incertezas
A disputa presidencial de 2026 tende a intensificar discussões sobre disciplina fiscal e confiança do mercado. A instabilidade em políticas econômicas pode afetar investimentos, abertura de vagas e decisões estratégicas nas empresas. A polarização já se reflete nos ambientes de trabalho, tornando o clima interno mais sensível.
Copa do Mundo: consumo em alta e vagas temporárias
De 11 de junho a 19 de julho, a Copa do Mundo deverá aquecer setores como bares, restaurantes, turismo, hotelaria e varejo, com o aumento de contratações temporárias. A venda de produtos oficiais pode crescer, caso a Seleção Brasileira avance no torneio. Ao mesmo tempo, alguns setores devem registrar pausas na rotina durante os jogos, alterando fluxos de trabalho.
Principais desafios para os trabalhadores:
- Demissões contínuas (“forever layoff”): cortes menores, porém frequentes, elevam o estresse e a sensação de insegurança.
- Retorno ao presencial: mais empresas querem equipes fisicamente presentes, reduzindo a autonomia de quem se beneficiou de formatos híbridos.
- Incertezas macroeconômicas e políticas.
O próximo ano exigirá adaptação, atualização e proteção. Com informação, preparo e articulação coletiva, será possível enfrentar as mudanças do mercado de trabalho equilibrando produtividade, segurança e bem-estar.
Para o Sindicato dos Comerciários é necessária e urgente fazer uma reflexão sobre os impactos da tecnologia no mercado de trabalho, especialmente no setor do comércio. A expansão do e-commerce, a implantação dos caixas automatizados — também conhecidos como “caixa sem caixa” —, o uso da inteligência artificial generativa e outras inovações tecnológicas vêm transformando profundamente as relações de trabalho. Embora apresentadas como sinônimo de modernidade e eficiência, essas tecnologias tendem a reduzir drasticamente o número de postos de trabalho, atingindo diretamente milhares de trabalhadores e trabalhadoras do comércio. Os efeitos dessa substituição da força de trabalho humana por sistemas automatizados não se limitam ao desemprego. Há consequências graves para a sociedade como um todo, especialmente para o sistema de seguridade social, como o INSS e a aposentadoria, que dependem da contribuição dos trabalhadores ativos. Menos empregos significam menos arrecadação e maior pressão sobre políticas públicas essenciais. As mudanças no mercado de trabalho são profundas e, de fato, irreversíveis. É impossível remar contra essa maré. No entanto, é dever do movimento sindical acompanhar e intervir nesse processo, lutando para que a tecnologia esteja a serviço do desenvolvimento social, e não da ampliação das desigualdades. Sem regulação e responsabilidade social, essas transformações podem aprofundar a desigualdade, a fome e a miséria. Por isso, o Sindicato defende diálogo, políticas públicas e proteção aos trabalhadores diante desse novo cenário.